Com a nomeação do Brigadeiro Inácio Luís Madeira de Melo para o comando de armas para a província, em substituição do brigadeiro brasileiro Manuel Pedro de Freitas Guimarães, instaurou-se uma série de discussões e rebeliões entre os militares baianos. Afinal, como o povo poderia aceitar omissivamente que um oficial português assumisse o comando das forças baianas, ignorando os interesses daqueles que nasceram aqui?
A resposta do comandante às resistências foi tão pouco discreta quanto preocupante: Madeira de Melo ordenou o bombardeio de quartéis, em especial o do Forte de São Pedro, um local transformado em uma base de resistência nacionalista e outros quartéis da cidade. Esta autora se pergunta se tal reação poderia ser colocada como uma ferida de ego em alguém incapaz de aceitar opiniões contrárias, ou se foi uma birra calculada, equivalente a uma criança, que quando não conseguir o que deseja, costuma transformar o ambiente em um palco sem plateia para sua inconformidade.
Tal conflito foi o suficiente para revelar jovens damas cuja força se manifestou das mais diferentes maneiras.
Comecemos por Maria Quitéria, cuja engenhosidade certamente causaria espanto nos mais tradicionais salões. Sob o disfarce masculino e o nome de Soldado Medeiros, infiltrou-se nas tropas baianas, provando que a coragem não se limita aos trajes que a sociedade determina para cada indivíduo. Parece que algumas damas estão mais dispostas a conquistar a liberdade do que certos cavalheiros a reconhecê-la.
Já Joana Angélica, religiosa de distinta coragem, demonstrou que nem mesmo os hábitos sagrados seriam suficientes para conter a violência daqueles que avançavam sobre seu convento. Ao colocar-se diante dos invasores para proteger as religiosas e demais pessoas ali presentes, pagou com a própria vida por sua resistência. Ouso dizer, estimados leitores, que esta mulher compreendeu o verdadeiro significado da fé, muito além dos sermões pronunciados nos mais ilustres púlpitos.